Em 2007, em companhia de alguns amigos da Associação de Jovens da Seicho-No-Ie (Núcleo Trindade, Florianópolis), fui à Lagoinha do Leste, uma praia selvagem ao sul da Ilha de Santa Catarina. Possui uma das paisagens mais impressionantes que já tive a chance de conhecer, unindo o mar a uma lagoa, com vegetação praticamente intocada. O local é de difícil acesso, o qual se dá unicamente por meio de uma trilha costeira, estreita e em meio à mata virgem. Por isso, os únicos frequentadores do lugar são as pessoas que procuram bom lugar pra acampar, surfistas e pesquisadores.

 

Em Florianópolis, localize-se de carro ou por ônibus na Praia da Armação, no leste da Ilha. Um bom ponto de referência para começar a caminhar em direção à Lagoinha é a Igreja Católica do local. É possível chegar à pé por duas trilhas:

  1. Por uma trilha que costeia a praia do Matadeiro (vizinha à Armação) em direção ao Sul da Ilha, em mais ou menos 3 horas de caminhada intensa em 4,5 km de percurso, com belas vistas do mar em mirantes e costões;
  2. Partindo da Armação, seguindo a pé até metade do percurso desta até o Pântano do Sul, onde há uma encosta em que se inicia uma outra trilha morro adentro e acima, que também vai dar na Lagoinha do Leste e que, na verdade, também serve de retorno para quem usa a primeira trilha e não quer voltar por ela. Percurso: cerca de 3 km, em 1,5 hora de caminhada.

Chegando (vivo) à Lagoinha, você encontrará uma paisagem praticamente intocada pelo homem e preservada, por anos,  pelo senhor Tibúrcio, nativo do local que faleceu há alguns anos em seu rude casebre, à beira da Lagoinha. Sim, uma Lagoinha, formada por água que desce dos morros da região, descansa e deságua naquela pequena enseada onde fica a praia… da Lagoinha.

Não há qualquer infraestrutura no local. Não há casas, não há estradas nem qualquer facilidade da vida urbana. Vemos lá a Natureza em permanente trabalho de parto, longe da imundície da cidade. Se, na solidão da cidade, há quem necessite de psicotrópicos para continuar fora do manicômio, a vida de “seu” Tibúrcio, sem convivência com carros, máquinas e gente apressada, mostrava ao povo da Ilha que a desarmonia com a Natureza não nasce com o homem. É questão de educação ou adaptação.

Tibúrcio Manoel Duarte, conhecido como “seu” Tibúrcio, foi um ermitão que habitou a unidade de conservação do Parque Municipal Lagoinha do Leste, em Florianópolis (Sul da Ilha de Santa Catarina). Erigiu sua morada com argila amarela, retirada das margens da Lagoinha, sobre paredes feitas com vasilhames (garrafões) de vinho que ele recolheu na região.

Além dele, somente uma alma viva morava na região, o pescador Valmir Staenmitz. Tendo morrido este, Tibúrcio permaneceu como único habitante, contribuindo para a preservação voluntária do local e servindo de inspiração aos visitantes que acampavam na praia. Sua habitação rústica chegou a figurar em fotografia de cartões telefônicos, famosa entre turistas, mas, infelizmente, já destruída por vândalos.

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